Telescópio Encontra Moléculas de Carbono Em Forma de Esferas Pela Primeira Vez no Espaço

By | 11/07/2012

Buckyballs foram detectadas em nebulosa planetária de uma estrela anã branca. Parecem bolas de futebol, e são feitas de 60 átomos de carbono ligados.

Divulgação

Astrônomos valendo-se do Telescópio Espacial Spitzer, da Nasa,  detectaram as maiores moléculas já encontradas no espaço em uma nuvem de poeira cósmica ao redor de uma estrela. As moléculas têm a forma de bola de futebol e são formadas por átomos de carbono.

Descobertas há apenas 25 anos em experimentos de laboratório, essas moléculas, chamadas de fulerenos, consistem de 60 (C60) ou 70 (C70) átomos de carbono organizados na forma de uma esfera, alternando hexágonos e pentágonos. Os fulerenos são uma terceira forma de carbono. As duas primeiras são grafite e diamante.

Elas receberam o nome pela semelhança com as estruturas geodésicas criadas pelo arquiteto Buckminster Fuller, que têm círculos interligados na superfície de uma esfera parcial. Havia a especulação de que buckyballs flutuassem pelo espaço, mas ainda não haviam sido detectadas nesse ambiente.

“Descobrimos o que, por ora, são as maiores moléculas conhecidas a existir no espaço”, disse o astrônomo  Jan Cami, da Universidade de Western Ontário, no Canadá, e do Instituto SETI. “Estamos especialmente entusiasmados porque elas têm propriedades únicas que as tornam importantes para todo tipo de processo químico e físico no espaço”.

A equipe de Cami encontrou inesperadamente as bolas de carbono na nebulosa planetária Tc 1. Nebulosas planetárias são os remanescentes de estrelas, como o Sol, que se desfazem de suas camadas exteriores à medida que envelhecem. Uma estrela compacta, chamada anã branca, no centro da nuvem aquece e ilumina a nebulosa.

Em artigo publicado na revista “Science”, Cami e sua equipe descrevem ter identificado a assinatura em infravermelho da molécula.

“[As moléculas] oscilam e vibram de várias maneiras e, ao fazerem isso, interagem com a luz infravermelha em comprimentos de onda bem específicos”, disse Cami à “BBC News”. Quando o telescópio detectou emissões nesses comprimentos de onda, Cami sabia que o sinal vinha de fulerenos.

As buckyballs foram encontradas nessas nuvens, talvez refletindo um estágio da vida da estrela em que ela liberou uma baforada de material rico em carbono.

Harry Kroto, professor da Universidade Estadual da Flórida e Nobel de física em 1996 pela descoberta dos fulerenos comemorou a descoberta. “Esse avanço entusiasmante fornece provas convincentes de que os fulerenos, como sempre suspeitei, existiram desde tempos imemoriais nos recantos escuros da nossa galáxia.”

O sinal originou-se em uma estrela de Ara, no hemisfério celestial sul, a 6.500 anos-luz de distância.

[Estadão/Folha]

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